terça-feira, 26 de janeiro de 2016

São Timóteo e São Tito- ajudantes de Paulo 26 janeiro

Timóteo - (Alguém Que Honra a Deus). Timóteo de Éfeso - bispo = 26 de janeiro
São Tito - colaborador de Paulo - bispo - 26 de janeiro

Depois de celebrar a memória da conversão de São Paulo, a Igreja honra Timóteo, missionário que percorreu muitas comunidades junto com o grande apóstolo cristão. 

Timóteo era o "braço direito" do apóstolo Paulo, seu grande amigo e companheiro, sendo considerado, ao lado do mestre, como o primeiro e corajoso pregador do cristianismo. Era tão querido por Paulo que este confiava missões exclusivas a ele, mandando-o como ser representante. 

Timóteo nasceu em Listra, Ásia. Seu pai era grego e pagão, a mãe se chamava Eunice e era judia. Foi educado dentro do judaísmo. Assim, quando o apóstolo Paulo, converteu-se aos vinte anos enunca mais abandonou a vida missionária. 

Fiel colaborador de Paulo, o acompanhou em suas viagens a Filipos, Tessalônica, Atenas, Corinto, Éfeso e Roma. As vezes ia sozinho, como para Corinto, sendo recomendado por Paulo: "Estou lhes mandando Timóteo, meu filho dileto e fiel no Senhor: manterá em suas memórias os caminhos que lhes ensinei". 

Por volta do ano 66, Timóteo era o bispo de Éfeso e, com este cargo, foi nomeado pelo apóstolo para liderar a Igreja da Ásia Menor. Faleceu no ano 97.

Tito veio do mundo pagão e Timóteo veio do mundo judeu. Trabalharam com o apóstolo Paulo, que os liderou sem lhes tirar o brilho. E deu à eles “a gloria de uma perene lembrança”, como disse Eusébio de Cesarea no primeiro milênio, e será ainda assim nos outros que se seguirão: toda a Igreja os veneram juntos. Mas suas trajetórias foram tão distintas, que são relatadas em páginas individuais.As únicas informações concretas nos são dadas pelas cartas do apóstolo Paulo.
Tito era grego e pagão. Ainda jovem se converteu ao cristianismo e se tornou companheiro e inestimável colaborador do apóstolo. Quando Paulo disse a Tito: “Isto deves ensinar, recomendar e reprovar com toda autoridade”, fez surgir um outro grande evangelizador, que permaneceu trabalhando ao seu lado.Encarregado pelo apóstolo para executar importantes missões, foi uma vez a Jerusalém para entregar a importância duma coleta em favor dos cristãos pobres. . “Meu companheiro e colaborador” como escreveu o apóstolo na segunda carta aos Corintos. Companheiro dos momentos importantes, como a famosa reunião do concílio de Jerusalém, que tratou da necessidade de renovação e diversificação dos ritos devido a evangelização no mundo pagão. Tito, porém, foi também um mediador persuasivo, e entusiasmou Paulo resolvendo uma grave crise entre ele e os Corintos. Entre os anos 64 e 65, tendo sido libertado da prisão romana o apóstolo Paulo foi com ele para a ilha de Creta, onde fundou uma comunidade cristã, que confiou à Tito. Mais tarde, visitou a Paulo em Nicópolis. Voltou novamente à Ilha de Creta, onde recebeu uma carta do próprio mestre, Paulo, que figura entre os livros sagrados. Depois, retornou à Roma para se avistar com o apóstolo que o mandou provavelmente evangelizar a Dalmácia, onde seu culto ainda hoje é intenso.

Segundo a tradição mais antiga, Tito permaneceu como bispo de Creta até sua morte, que ocorreu em idade avançada, por causa natural e não por martírio. Ele teria conservado a virgindade até a morte. São Paulo o chama repetidamente “meu companheiro e colaborador”, e na segunda carta aos Corintos, num momento de especial amargura, diz: “Deus me consolou com a chegada de Tito”.As três cartas escritas pelo apóstolo Paulo a estes dois discípulos têm alto valor, pelo conteúdo exclusivamente pastoral, de tal modo que podem ser consideradas como primeiro guia pastoral dos bispos de todos os tempos.

Oração:
Deus, nosso Pai, nós vos pedimos perdão e a graça da conversão. Vós nos chamais a compartilhar, mas nós teimamos em tudo reter; vós nos chamais ao despojamento de toda ganância e soberba, mas nós agimos com avareza e acima de tudo colocamos o nosso amor próprio; vós nos chamais ao respeito, à gratidão, à justiça, à ternura, à compreensão, mas nós blasfemamos contra Deus, desonramos nossos pais, somos injustos e mesquinhos, desafetuosos e implacáveis; vós nos chamais à verdade, e mentimos; vós nos chamais à bondade, e somos cruéis; vós nos chamais à amizade, e traímos nossos amigos e o próprio Deus. Porém, a vossa misericórdia supera nossos pecados e nossas fraquezas. Se vos somos infiéis, vós permaneceis fiel, pois não podeis negar-vos a vós mesmo. Amém.
Devoção: À pregação do Evangelho
Padroeiro: Das missões

Tito
Na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado:
1)com a cabeça descoberta com o cajado pastoral;
ou 2) com um brilhante e sedutor sorriso.
Ainda é mostrado:
3) como um bispo com uma palma, com o leão de São Marcos e com as palavras “Província Candiae” acima de sua cabeça e
4) com raios emanando de sua cabeça.
É invocado como padroeiro dos livres pensadores e protetor dos canhotos.

Timóteo - (Alguém Que Honra a Deus). Timóteo de Éfeso - bispo

Timóteo foi um bispo cristão do século I d.C. que morreu por volta do ano 80 d.C. O Novo Testamento indica que Timóteo esteve com Paulo de Tarso, que era seu mentor, durante as suas viagens missionárias.

Filho duma judia, Eunice, e dum pai grego (cujo nome não é citado nas Escrituras). Enquanto ainda bem jovem, a mãe de Timóteo, e também provavelmente sua avó, Lóide, ensinaram-lhe os “escritos sagrados”. (At 16:1;2 TI 1:5; 3:15) Não se sabe precisamente quando foi que Timóteo abraçou o cristianismo. No entanto, talvez no fim de 49 ou no início de 50 EC, quando o apóstolo Paulo chegou a Listra (pelo visto, o domicílio de Timóteo) durante sua segunda viagem missionária, diz-se o seguinte sobre o discípulo Timóteo (talvez já no fim da adolescência, ou com seus vinte e poucos anos): “Os irmãos em Listra e Icônio davam dele bom relato.” — At 16:2.

Pode ser que nessa época, em resultado da operação do espírito de Deus, certas profecias ou predições tenham sido expressas a respeito de Timóteo. Depois de o espírito santo, desta forma, ter indicado o futuro de Timóteo, os anciãos da congregação juntaram-se ao apóstolo Paulo em pôr as mãos sobre Timóteo, colocando-o assim à parte para determinado serviço relacionado com a congregação cristã.  Paulo escolheu a Timóteo para companheiro de viagem e, para evitar fornecer aos judeus um motivo de tropeço, circuncidou-o. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

São Bento de Núrsia

A Regra de São Bento

A Regra de São Bento (Regula Monasteriorum) é um livro escrito por São Bento, com as regras para a vida monástica comunitária. É um livro com 73 capítulos curtos. A regra prioriza o silêncio, a oração, o trabalho, o recolhimento, a caridade fraterna e a obediência. Assim nascia a famosa Ordem dos Beneditinos, ou Ordem de São Bento, que permanece viva e atuante até hoje, seguindo a mesma regra escrita há mais de 1500 anos. A Regra de São Bento foi também adaptada para várias congregações de monges do ocidente.
O espírito da Regra de São Bento resume-se em dois pontos: o lema da Ordem de São Bento (pax - «paz»), que nasceria séculos mais tarde, como resultado da agremiação de vários mosteiros que partilhavam a mesma regra; e ainda o tradicional ora et labora («reza e trabalha»), súmula da vida que cada monge deve levar.

Dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade

Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.
Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”. Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.
São Bento, rogai por nós!

fonte:http://santo.cancaonova.com/santo/sao-bento-vida-de-oracao-e-meditacao/

Santa Irene - 5 de abril

5 de abril - Dia de Santa Irene

JACAREÍ, 22 DE JANEIRO DE 2014

8ª MENSAGEM DE SANTA IRENE
(Marcos): “Sim, estou muito alegre em vê-La hoje! Sim, já tinha muita saudade vossa sim!”

(Santa Irene): “Amados irmãos Meus, Eu, Irene, venho novamente hoje abençoar-vos e dar-vos a Paz.

O Meu nome significa Paz, por vos digo: Paz, Paz, Paz! Paz nos vossos corações, paz nas vossas famílias, paz na sociedade, paz no mundo inteiro, que a paz reine nos vossos corações e nos corações de todos os homens.

Rezai pela Paz, rezai pelo Triunfo da Paz nas nações e nos corações.

Fugi de todas as ocasiões de pecado, rezai para que não caiais em tentação, rezai para que não entreis em tentação. satanás é forte e deseja através de muitas coisas atrair-vos para o pecado, derrubar-vos na vossa caminhada para o Céu.

Estai atentos, rezai, para resistir a todas as suas tentações, levai a Paz ao mundo inteiro. Rezai o Santo Rosário, para que a Paz se espalhe por todo o mundo. Só podereis vencer satanás e as suas obras no mundo pela Oração, pelo Jejum, pela Penitência. Ele teme somente isto, por isso rezai, rezai muito, para vencerdes satanás em vós mesmos e no mundo inteiro.

Somente com a Oração podereis expulsar toda a fumaça do pecado e de satanás que entrou dentro das vossas almas ao longo de toda a vossa vida, pelos maus exemplos, maus conselhos, más conversas que ouvistes e vistes, então: Rezai, rezai muito.

Eu, Irene estou ao vosso lado, conheço os vossos sofrimentos, conheço todas as vossas tribulações, sei como o inimigo vos golpeia. Tenho misericórdia e pena de vós, estou ao vosso lado para vos dar força e para proteger-vos de satanás. Quando estiverdes sofrendo, quando estiverdes sem Paz, rezai a Mim, chamai-Me e Eu virei dar-vos a Paz.

A todos abençoo com Amor, neste momento e especialmente a ti Marcos, o mais querido dos Meus devotos, o mais ardente dos Meus devotos amados.”

(Marcos): “Sim, tentarei sim. Farei sim amada Santa Irene. Obrigado Irene Santíssima. De novo obrigado Irene Santa e Fiel. Até breve.”

HUMILDADE


Santa Margarita de Alacoque - Promessas feitas pelo Sagrado Coração de Jesus

Principais promessas feitas pelo Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarita de Alacoque:
1. Às almas consagradas a meu Coração, lhes darei as graças necessárias para seu estado.

2. Darei paz às famílias.

3. As consolarei em todas suas aflições.

4. Serei seu amparo e refúgio seguro durante a vida, e principalmente na hora da morte.

5. Derramarei bênçãos abundantes sobre seus projetos.

6. Os pecadores encontrarão em meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia.

7. As almas tíbias se tornarão fervorosas.

8. As almas fervorosas serão rapidamente elevadas a grande perfeição.

9. Abençoarei as casas em que a imagem de meu Sagrado Coração estiver exposta e for honrada.

10. Darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos.

11. As pessoas que propagarem esta devoção, terão escrito seu nome em meu Coração e jamais será apagado dele.

12. A todos os que comungarem nove primeiras Sextas-feiras do mês contínuos, o amor onipotente de meu Coração lhes concederá a graça da perseverança final.

Prece Fernando Pessoa

Prece    Fernando Pessoa
SENHOR, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu. Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está – (o teu templo)  – eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai. [...]
Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.


Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Prece Fernando Pessoa

Prece    Fernando Pessoa
SENHOR, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu. Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está – (o teu templo)  – eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai. [...]
Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Morte de Pedro

Quando Simão Pedro foi arrancado aos grilhões do cárcere para o derradeiro sacrifício, sentia o coração varado de angústia, conquanto mostrasse o passo firme.
O velho apóstolo, que transpusera os oitenta de idade, levantava a cabeça branca, destacando-se na turba à maneira de um pai atormentado por filhos inconscientes.

Irmãos do Evangelhos ladeavam-no, tristes, escondendo o próprio desespero, diante da serenidade com que ele, encanecido em duras experiências, acomodava ao martírio.
Mulheres e crianças emaranhavam-se, cortejo a dentro, para beijar-lhe as mãos. Transeuntes, ainda mesmo adversos ao Cristianismo nascente, fitavam-no, respeitosos, qual se vissem um soberano humilhado e pobremente vestido, a caminho de inesperado triunfo... E até soldados da escolta, recordando vários companheiros de Simão transfigurara, ao curar-lhes os parentes enfermos, abeiravam-se dele com veneração e carinho...

Apenas um dos pretorianos, Sertório Aniceto, destacado elemento na expedição, não poupava o sarcasmo.
Desejando quebrar a atmosfera de reverência e de êxtase que se fazia, desdobrava impropérios:
- Para diante, velho impudente! Judeu sujo! Lixo humano, que envergonharia os postes da arena!...
E mais à frente:
-Não abuse da crendice do povo! Ladrão imundo, chegou seu fim!...

Pedro, entretanto, contemplava o céu escaldante da tarde orava em silêncio...
Sentia-se, agora, fatigado e incapaz! Compreendia que a Boa Nova exigia servidores robustos e rogava ao Cristo enviasse obreiros novos e valorosos para a vinha do mundo... Mas não era só isso... No imo do coração, ardia-lhe a saudade do Mestre e ansiava retomar-lhe a companhia para sempre...
Escalando a colina, via não longe o Campo de Marte, assinalado pelo monumento de Augusto, as cintilações do Tibre espreguiçando ao sol, o casario imenso, as termas e os jardins; no entanto, regressava pela imaginação à Galileia distante, buscando Jesus em pensamento...

Revia o lago de Genesaré, em seus dias mais belos, e as multidões simples e generosas com que o Senhor repartia o pão e a verdade, o consolo e a esperança...
Por estranhos mecanismos da memória, respirava, de novo, o perfume das rosas de Betsaida, das romãzeiras de Magdala e dos pequenos vinhedos de Cafarnaum...
Apesar do calor reinante, rememorava a pesca e supunha-se envolvido pelo sopro da brisa, quando a barca sobrestava as ondas calmas.

Reconstituía, enlevado as pregações do Divino Amigo e parecia-lhe jornadear de retorno à família das crianças e dos enfermos, das mães sofredoras e dos velhinhos que ele próprio lhe entregara ao coração...
Atingido o local do suplício, confiou-se automaticamente aos soldados que o desnudaram, e, como se estivesse hipnotizado pela idéia do reencontro, sofregamente aguardado, quase nada percebeu dos martelos, rudemente manobrados, que lhe apresavam pés e mãos ao lenho que se lhe erguia de improviso...

Em derredor, escutava os protestos velados das centenas de espectadores da lamentável exibição, de mistura, de mistura com as preces dos companheiros agoniados... Detido, porém, na ânsia do repouso, Pedro não via que o tempo se escoava, sem que lhe desfechassem qualquer golpe...
Aqui e além, grupos em oração e lágrimas salientavam-se de mãos postas; contudo, a morte tardava... Aniceto, entretanto, não o perdia de vista, e, reparando que o crepúsculo baixava, atirou-lhe pontiagudo calhau à cabeça e gritou:
-Morre, bruxo!

O apóstolo observou que o sangue esguichava, mas, sem qualquer reação, rendeu-se a invencível torpor, qual se fosse repentinamente anestesiado por brando sono.
Semelhante impressão, contudo, perdurou por momentos. O ancião, após desalgemar-se do corpo, identificou-se espiritualmente, livre e eufórico, ao pé dos próprios despojos, e, alheio à algazarra em torno, contemplou o firmamento, onde os astros se inflamavam, como se dedos invisíveis acendessem lumes deslumbrantes para uma festa no céu...
Espantado, observou que um homem descia do alto, como que materializado pela fulguração das estrelas, e, decorridos alguns instantes de assombro, viu Jesus a dois passos, a endereçar-lhe o inolvidável sorriso.

- Mestre! - exclamou, inclinando-se para beijar o chão que ele pisava. O Messias redivivo tomou-os nos braços e partiu, conchegando-o ao coração, qual se transportasse frágil criança.
Por várias semanas restaurou-se Pedro na estância de luz que o Cristo lhe reservara.
Junto dele, visitou paragens de inexprimível beleza, recolheu lições preciosas, presenciou espetáculos soberbos da grandeza cósmica e abraçou afeições inesquecíveis...

Quando mais integrado se reconhecia no Plano Superior, eis que o Celeste Companheiro lhe anuncia nova separação. Que o discípulo descansasse quanto quisesse, elevando-se às excelsas regiões... Ele, porém, devia ausentar-se...
-Senhor, aonde vais? - indagou o apóstolo, penosamente surpreendido.
E Jesus, indicando-lhe escuro recanto da vastidão, em que se adivinhava a residência planetária dos homens, informou sereno:

-Pedro, enquanto houver um gemido na Terra, não me será lícito repousar...
-Então, Senhor, eu também...
E, como outrora, demandaram juntos, atravessaram Roma, parando, por fim, em espaçoso cemitério da Via Ápia, mergulhado na sombra noturna...
A multidão cantava, glorificando o Senhor...
Não obstante o Natal estivesse na lembrança de poucos, rememorava-se, ali, diante da imensidão constelada, a melodia dos mensageiros angélicos.

Simão, fremindo de emotividade, começou a chorar de alegria. Anelava ser bom, aspirava a ser irmão da Humanidade, queria auxiliar a construção do Reino de Deus e homenagear a manjedoura de Belém, ofertando algo de si mesmo, em louvor do Evangelho...
Nesse ínterim, aproximou-se Jesus e disse-lhe ao ouvido:
-Pedro, alguém de chama...
O apóstolo voltou-se e, admirado, enxergou na pequena comunidade um homem triste, carregando nos braços um pequenino agonizante... Era Aniceto, a rogar-lhe, mentalmente, se lhe compadecesse do filhinho que a febre devorava. Qual se lhe registrasse a presença, expunha-lhe os remorsos que amargava e pedia-lhe perdão...

O antigo pescador não hesitou. Depois de oscular-lhe a fronte suarenta, afagou a criança atribulada, impondo-lhe as mãos, e, ali mesmo, magneticamente tocado por forças renovadoras e intangíveis, o menino despertou, lúcido e refeito, enlaçando-se ao pai, à feição da ave assustada que torna à segurança do ninho.
Aniceto, no íntimo, compreendeu o socorro e a bênção que recebia e, renovado, começou a cantar em lágrimas de júbilo: "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens!..."
Para o rude legionário de César começava nova vida e para Simão Pedro o serviço continuou...

(Pelo espírito Irmão X, psicografado por Fancisco Cândido Xavier, publicado em Antologia Mediúnica do Natal)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Santos do Dia

01 de Janeiro - Virgem Maria, Mãe de Deus.
02 de Janeiro – Basílio Magno e Gregório Nazianzo, bispos e doutores da Igreja
03 de Janeiro – Santa Genoveva, padroeira de Paris. Beata Estefânia Quinzani, leiga, são José Maria Tomasi.
04 de Janeiro – Santa Ângela de Foligno
05 de Janeiro – São Simeão
06 de Janeiro – Dia de Reis, "Epifania do Senhor".
07 de Janeiro – São Raimundo de Penãforte, presbítero.
08 de Janeiro – S. Lourenço Justiniano, São Severino e Santo Apolinário
09 de Janeiro – São Julião, São Pedro de Sebaste e Madre Alix Le Cler
10 de Janeiro – Beato Gonçalo de Amarante, presbítero. Beata Ana dos Anjos Monteagudo, monja. São Paulo (o Eremita).
11 de Janeiro – Santo Higino; beato Bernardo Scammacca, presbítero.Santo Teodósio.
12 de Janeiro – Santo Alfredo e São Bento Biscop; S. António Pucci.
13 de Janeiro- Santo Hilário de Poitiers, bispo e doutor da Igreja.
14 de Janeiro – São Sabas, Pedro Donders.
15 de Janeiro – Santo Odorico de Pordenone. - Santo Amaro (festas solenes em algumas localidades portuguesas).
16 de Janeiro – São Marcelo; Santo Honorato de Arles.
17 de Janeiro – Santo Antão, abade.
18 de Janeiro – Santo Irmão Jaime Hilário, mártir de Turón. Santa Margarida da Hungria, monja. Santa Prisca, Santa Beatriz.
19 de Janeiro - André de Peschiera, São Mário e Santa Marta, São Germânico. . São Genaro, Santa Marta.
20 de Janeiro – São Sebastião, mártir e São Fabião, papa e mártir
21 de Janeiro – Santa Inês, virgem e mártir.
22 de Janeiro – São Vicente, diácono e mártir. António delle Chiesa, presbítero.
23 de Janeiro – Henrique de Suso. Santa Emerenciana e Santo Ildefonso.
24 de Janeiro – São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja
25 de Janeiro - São Paulo, conversão de São Paulo, Apóstolo.
26 de Janeiro – São Timóteo e São Tito, bispos
27 de Janeiro - Santa Ângela de Meríci, virgem. Marcolino de Forli, presbítero.
28 de Janeiro – Santo Tomás de Aquino, prebítero e doutor da Igreja.
29 de Janeiro – São Sulpício Severo. Josef Freinademetz, missionário na China. Villana delle Botti, leiga.
30 de Janeiro – Santa Martina, Santa Aldegundes, Santa Batilde. São Sebastião Valfré.
31 de Janeiro – São João Bosco, presbítero.
01 de Fevereiro – Santa Brígida, Santa Veridiana.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Santa Maria Goretti- 06 julho


A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de “sim” a Deus e “não” ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus.

Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: “Não, não, Deus não quer; é pecado!”

Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em oração, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: “Sim, o perdôo… Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa… Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna”.
O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na Praça de São Pedro, na ocasião da canonização dessa santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também.

Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo.

Santa Maria Goretti, rogai por nós!
http://santo.cancaonova.com/santo/santa-maria-goretti-virgem-e-martir/

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

São Raimundo de Penãfort - 07 janeiro

Espanhol de 1175, foi para a Itália estudar e se ali se consagrou ao Cristianismo. Tornou-se Bispo e percorreu por diversas cidades, chegando a assumir cargos políticos e de direito em Roma. Regressou à Espanha para viver como frade, sendo constantemente procurado por reis e pelo Papa para dar-lhes aconselhamento. Morreu em 1275 aos 100 anos

São Raimundo de Penãfort foi fiel àquilo que davam a ele como trabalho para a edificação da Igreja

Nasceu no castelo de Peñafort, Barcelona, Espanha, no ano de 1175. Desde cedo, muito dedicado aos estudos, ele se especializou em Bolonha, na Itália, na universidade onde se tornou também um reconhecido mestre. Deixou aquela realidade que tanto amava para obedecer ao Bispo de Barcelona que o queria como cônego. Ele prestou esse serviço até discernir seu chamado à vida religiosa, quando entrou para a família dominicana e continuou em vários cargos de formação, mas aberto à realidade e às necessidades da Igreja, onde exerceu o papel de teólogo do Cardeal-bispo de Sabina; também foi legado na região de Castela e Aragão; depois, transferido para Roma, ocupou vários cargos.

Ele não buscava nem tinha em mente um projeto de ocupar este ou aquele serviço, mas foi fiel àquilo que davam a ele como trabalho para a edificação da Igreja. Na Cúria Romana, quantos cargos ligados a Teologia, Direito Canônico! Um homem de prudência, de governo. Seu último cargo foi de penitencieiro-mor do Sumo Pontífice. Quiseram até escolhê-lo como Arcebispo, mas, nesta altura, ele voltou para a Espanha; quis viver em seu convento, em Barcelona, como um simples frade, mas fossem os reis, o Papa e tantos outros sempre recorriam ao seu discernimento.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dia de Reis


O ato de desmontar os enfeites de Natal no Dia de Reis, virou uma tradição aos povos do Ocidente e de de fé Católica. Entretanto, o costume não é realmente uma "obrigação". 

De acordo com o frei Rozântimo Antunes Costa, do Santuário Santo Antônio do Valongo, em Santos, a desmontagem da árvore, do presépio e de outros acessórios natalinos não precisa, obrigatoriamente, ocorrer no sexto dia do ano, quando, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo recém-nascido recebeu a visita de três Reis Magos. 


Quem quiser retirar os enfeites depois, também não deve se preocupar. "Não há mal nenhum. Aqui mesmo no Santuário, vão deixar até fevereiro a exposição de presépios. 
Término do Ciclo Natalino 
O pároco explica que o dia estipulado, no conceito da Igreja Católica para a remoção dos itens, ocorre no segundo domingo depois do natal, data em que será comemorado o Batismo de Jesus Cristo. Esse período, simboliza o término do Ciclo Natalino, que acontece uma semana após a Epifania do Senhor, duas semanas após o Natal.

O dia de Reis foi criado para lembrar a data em que os três Reis Magos entregaram presentes ao Menino Jesus. É uma festa da Igreja Católica Apostólica Romana, realizada entre os dias vinte e quatro de dezembro e 06 de janeiro, o dia da comemoração.
Trazida pelos portugueses na época da colonização do Brasil, a folia de reis é um movimento cultural onde os grupos saem caminhando a pé pelas ruas das cidades, para levar às pessoas as bênçãos do menino Jesus.

Os participantes saem a caráter, cada personagem possui roupas próprias, deixando a folia com um ar mais animado.
Dentre os personagens que aparecem na festa temos: mestre, contramestre, músicos, tocadores, reis magos, palhaço e outras pessoas, donas de conhecimentos da data.

Na história do natal os reis magos foram guiados por uma estrela até chegarem ao local onde Maria estava com seu filho, na presença de José. O caminho percorrido foi longo, pois cada um estava em uma localidade, por isso demoraram cerca de doze dias para chegar a Belém.

Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Sua utilidade é espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar, fazendo também do objeto uma reprodução da fé e da espiritualidade.
Da Europa, o enviado foi Belchior ou Melchior. Seu presente, o ouro, era oferecido apenas para os deuses, motivo pelo qual o ofertou para Jesus, simbolizando a riqueza, a realeza.

A mirra não foi esquecida. Baltazar levou-a da África, como a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta, utilizado para o preparo de medicamentos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Santa Júlia


Júlia nasceu no século V, em Cartago. Viveu feliz até que, um dia, os vândalos, chefiados pelo sanguinário rei Genserico, invadiram sua cidade e a dominaram. Os pagãos devastaram a vida da comunidade como um furacão.

ataram muitos católicos, profanaram os templos, trucidaram os sacerdotes e venderam os cidadãos como escravos. A vida de Júlia passou do paraíso ao inferno de forma rápida e terrível. De jovem cristã, nobre e belíssima, que levava uma vida tranqüila e em paz com Deus, viu-se condenada às mais terríveis privações. Mas, mesmo vendo trocadas a fortuna pela miséria, a veneração pelo desprezo, a independência pela obediência, enfim, a liberdade pela escravidão, Júlia não se abalou.
A tradição conta que ela foi vendida para Eusébio, um negociante sírio. Mas a bondade e a resignação da moça, que encontrava na fé cristã o bálsamo para todas as dores, comoveram seu amo, que passou a respeitá-la e exigir o mesmo de todos, nunca permitindo que fosse molestada. Chegou a autorizar até que ela dedicasse algumas horas do dia às orações e leituras espirituais.

Certa vez, ele viajou para a Europa e, entre os vários escravos que o acompanharam, estava a bela e inteligente Júlia. Na ilha francesa da Córsega realizavam-se festas pagãs quando a comitiva de Eusébio chegou. Ele e todos os demais se dirigiram a um templo dos deuses locais para prestar suas homenagens, mas Júlia recusou-se a entrar. Ajoelhou-se à porta do templo e passou a rezar para que Deus mostrasse aos pagãos a Palavra de Jesus, caminho da verdade.

A atitude chamou a atenção e chegou aos ouvidos do governador Félix,que convidou Eusébio para um banquete e propôs comprar a escrava Júlia por um preço absurdo, ou trocá-la pelas quatro mais belas escravas do seu palácio. Contudo o comerciante recusou. Enraivecido pela paixão que Júlia despertara, embebedou o comerciante, cercou-o de mulheres exuberantes e tomou a escrava à força, enquanto Eusébio dormia.

Santa Inês - 21 janeiro

Santa Inês

O nome "Agnes", para nós Inês, em grego significa pura e casta, enquanto em latim significa cordeiro. Para a Igreja, Santa Inês é o próprio símbolo da inocência e da castidade, que ela defendeu com a própria vida. A idéia da virgindade casta foi estabelecida na Igreja justamente para se contrapor à devassidão e aos costumes imorais dos pagãos. Inês levou às últimas conseqüências a escolha que fez à esses valores. É uma das Santas mais antigas do cristianismo. Sua existência transcorreu entre os séculos três e quatro, sendo martirizada durante a décima perseguição ordenada contra os cristãos, desta vez imposta pelo terrível imperador Diocleciano, em 304.

Inês pertencia à uma rica, nobre e cristã família romana. Isso lhe possibilitou receber uma educação dentro dos mais exatos preceitos religiosos, o que a fez tomar a decisão precoce de se tornar "esposa de Cristo". Tinha apenas 13 anos quando foi denunciada como cristã.

Dotada de uma beleza incomum, recebeu inúmeros pedidos de casamento, inclusive do filho do prefeito de Roma. Aliás, essa foi a causa que desencadeou seu suplício e uma violenta perseguição contra os cristãos. A narração que nos chegou conta que o rapaz, apesar das negativas da jovem, tentava corteja-la. Seu pai indignado com as constantes recusas que deixavam seu filho inconsolável, tentou forçar que Inês aceitasse seu filho como esposo, mas tudo em vão. Numa certa tarde de tempestade, o rapaz tentou toma-la nos braços, mas foi atingido por um raio e caiu morto aos seus pés. Quando o prefeito soube, procurou Inês com humildade e lhe implorou que pedisse a seu Deus pela vida de seu filho. Ela erguendo as mãos e voltando os olhos para o céu orou para que Nosso Senhor trouxesse o rapaz de volta à vida terrena, mostrando toda Sua misericórdia. O rapaz voltou e percebendo a santidade de Inês se converteu cristão. Porém, seu pai, o prefeito, viu aquela situação como um sinal de poder dos cristãos e resolveu aplicar a perseguição, decretada por Diocleciano, de modo implacável.

SANTA GERTRUDES DE HELFTA - 16 novembro

PENSAMENTOS DE SANTA GERTRUDES DE HELFTA
"Beber desta fonte salvadora significa restituir a si a própria verdade, ofuscada pelo pecado, para recuperar a luminosidade da inteligência e do amor originais. Quem faz tal experiência reencontra o próprio coração, recriado no amor de Deus"

"Ó Amor, mergulha meu espírito nas águas deste Coração melífluo, sepultando nas profundezas da divina misericórdia todo o peso da minha iniqüidade e da minha negligência. Restitui-me, em Cristo, uma inteligência luminosa e um afeto puro, para que – através de ti – eu possa ter um coração imune, desembaraçado e livre".

"Ó Senhor, desejo louvar-te e agradecer-te porque, apesar da minha indignidade, mantiveste tua transbordante ternura para comigo.

Quero ainda louvar-te porque alguns, ao ler estas páginas, poderão saborear na intimidade de seu ser as mais elevadas experiências.

De fato, por meio do alfabeto, alcançam a ciência da filosofia aqueles que querem estudar; similarmente, por meio de sinais que, na verdade, são apenas figuras retratadas, os leitores destas páginas aprenderão a degustar dentro de si mesmos aquele maná escondido que não poderia ser associado a nenhuma mistura de imagens corpóreas, e de cujo sabor somente quem já experimentou sentirá fome".

"Naquela mesma hora, quando minha memória ainda se ocupava devotamente com tais pensamentos, senti que me estava sendo divinamente concedido – a mim, tão indigna que sou – aquilo mesmo que havia pedido na oração, isto é: no interior de meu coração, como sendo um lugar corpóreo, eu soube que tinham sido impressos os sinais de tuas santíssimas chagas, dignas de respeito e adoração".
"Deus onipotente e Mestre generoso de todo bem, digna-te garantir-nos sempre este alimento enquanto caminhamos em nosso exílio, na espera de que – contemplando com rosto descoberto a glória do Cristo – sejamos transformados à sua própria imagem, de luz em luz, como sob suavíssimo sopro".

"Durante uma pregação feita na capela por um frade, este dizia:

'O amor é um dardo de ouro. Se o homem o lança sobre qualquer outra pessoa, ele a possui de algum modo. Seria, pois, loucura usar o amor para os bens terrestres, mas negligenciar os bens celestes'.

Inflamada por tais palavras,


Gertrudes disse ao Senhor: 'Que me seja condedido este dardo! Então, sem esperar um segundo, eu me esforçaria para vos transpassar com ele, a Vós, único bem-amado de minha alma, para ter-vos sempre comigo'.

Ela ainda pronunciava tais palavras, quando viu o Senhor que a mirava com uma flecha áurea e lhe dizia:

'Tu planejas ferir-me, caso possuísses uma flecha de ouro. Mas eis que sou eu quem a tenho! Desejo com ela transpassar-te de tal modo, que jamais poderás sarar'".

"E era uma flecha com três curvaturas: no início, no meio e na extremidade.

Assim se mostrava o tríplice efeito que esta flecha provocava na alma ferida.

Quando a primeira curvatura penetra na alma, sua ferida a torna semelhante a um enfermo, que sente somente desgosto pelos bens passageiros: não há coisa alguma neste mundo que lhe assegure prazer nem consolação.


A segunda, ao penetrar na alma, a faz parecer uma pessoa com alta febre que, exasperada pela dor, reclama pelo remédio com extrema impaciência.

Assim é a alma nesta situação: o desejo que possui é tão intenso que, sem conseguir dominá-lo nem moderá-lo, arde por unir-se a Deus. E quando isto lhe parece impossível, se acaso ela não o experimenta, chega quase a perder o respiro.

Santa Virgínia Centurione Bracelli - 15 dezembro

Santa Virgínia Centurione Bracelli

Virgínia, riquíssima, filha de um doge da República de Gênova, nasceu em 2 de abril de 1587. O pai, Jorge Centurioni, era um conselheiro da República. A mãe, Leila Spinola, era uma dama da sociedade, católica fervorosa e atuante nas obras de caridade aos pobres. Propiciou à filha uma infância reservada, pia e voltada para os estudos. Mesmo com vocação para a vida religiosa, Virgínia teve de casar, aos quinze anos, por vontade paterna, com Gaspar Grimaldi Bracelli, nobre também muito rico. Teve duas filhas, Leila e Isabela. Esposa dedicada, cuidou do marido na longa enfermidade que o acometeu, a tuberculose. Levou-o, mesmo, para a Alexandria, em busca da cura para a doença, o que não aconteceu. Gaspar morreu em 1607, feliz por sempre ter sido assistido por ela.

Ficou viúva aos vinte anos de idade. Assim, jovem, entendeu o fato como um chamado direto de Deus. Era vontade de Deus que ela o servisse através dos mais pobres. Por isso conciliou os seus deveres do lar, de mãe e de administradora com essa sua particular motivação. O objeto de sua atenção, e depois sua principal atividade, era a organização de uma rede completa de serviços de assistência social aos marginalizados. O intuito era que não tivessem qualquer possibilidade de ofender a Deus, dando-lhes condições para o trabalho e o sustento com suas próprias mãos.

Desenvolvia e promovia as "Obras das Paróquias Pobres" das regiões rurais conseguindo doações em dinheiro e roupas. Mais tarde, com as duas filhas já casadas, passou a dedicar-se, também, ao atendimento dos menores carentes abandonados, dos idosos e dos doentes. Fundou uma escola de treinamento profissional para os jovens pobres. Numa fria noite de inverno, quando à sua porta bateu uma menina abandonada pedindo acolhida, sentiu uma grande inspiração, que só pôs em prática após alguns anos de amadurecimento.

Finalmente, em 1626, doou todos os seus bens aos pobres, fundou as "Cem Damas da Misericórdia, Protetoras dos Pobres de Jesus Cristo" e entrou para a vida religiosa. Enquanto explicava o catecismo às crianças, pregava o Evangelho. As inúmeras obras fundadas encontravam um ponto de encontro nas chamadas "Obras de Nossa Senhora do Refúgio", que instalou num velho convento do monte Calvário. Logo o local ficou pequeno para as "filhas" com hábito e as "filhas" sem hábito, todas financiadas pelas ricas famílias genovesas. Ela, então, fundou outra Casa, depois mais outra e, assim, elas se multiplicaram.

A sua atividade era incrível, só explicável pela fé e total confiança em Deus. Virgínia foi uma grande mística, mas diferente; agraciada com dons especiais, como êxtases, visões, conversas interiores, assimilava as mensagens divinas e as concretizava em obras assistenciais. No seu legado, não incluiu obras escritas. Morreu no dia 15 de dezembro de 1651, com sessenta e quatro anos de idade, com fama de santidade, na Casa-mãe de Carignano, em Gênova. A devoção aumentou em 1801, quando seu túmulo foi aberto e seu corpo encontrado intacto, como se estivesse apenas dormindo. Reavivada a fé, as graças por sua intercessão intensificaram-se em todo o mundo.

Duas congregações distintas e paralelas caminham pelo mundo, projetando o carisma de sua fundadora: a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, com sede em Gênova; e a Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Monte Calvário, com sede em Roma.

Virgínia foi beatificada em 1985. O mesmo papa que a beatificou, João Paulo II, declarou-a santa em 2003. O seu corpo é venerado na capela da Casa-mãe da Congregação, em Gênova, com uma festa especial no dia de sua morte. Mas suas "irmãs" e "filhas" também a homenageiam no dia 7 de maio, data em que santa Virgínia Centurione Bracelli vestiu hábito religioso.

Eugênia Picco - 7 setembro

7 de setembro - Dia de Eugênia Picco  Eugênia Picco-1867-1921
Irmã religiosa
Eugênia Picco nasceu, em 8 de novembro de 1867, em Crescenzago, Milão, Itália Seu pai era músico do teatro La Scala. Eugênia foi criada pelos avós e tinha pouco contato com os pais. Certa vez, sua mãe voltou de uma viagem sozinha, anunciando a morte do marido, de quem nunca mais voltará a ouvir falar. 

Obrigada a viver com a mãe e seu amante, cresceu num ambiente pouco religioso e convivendo com as aspirações mundanas da mãe, que a queria transformar numa famosa cantora. Rezava diariamente na basílica de Santo Ambrósio pedindo ajuda a Deus. Numa tarde de maio de 1886, sentiu na sua alma a vocação para a santidade e, a partir desse momento, caminhou sempre rumo à perfeição. 
Fugiu de casa aos vinte anos para entrar na Congregação das Pequenas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, onde foi recebida com compreensão e carinho pelo seu fundador, padre Agostinho Chieppi. Começou o noviciado em 1888 e, seis anos mais tarde, emitiu a profissão religiosa. Simples e humilde, fiel e generosa, entregou-se sem reservas às alunas do colégio, a quem ensinava música, canto e francês; às noviças, de quem foi mãe e mestra; às suas irmãs, como secretária-geral e conselheira. Em junho de 1911, foi eleita superiora-geral, cargo que ocupou até a morte. Mulher corajosa e sábia, durante o seu governo contribuiu para a consolidação definitiva do instituto. Foi mãe para todos, especialmente para os pobres e marginalizados, a quem servia com generosidade incansável. A eucaristia foi seu grande amor, centro de piedade, alimento e alívio para os dias densos de oração e de cansaço. 
Agostinho Chieppi e Eugenia Picco (FOTO AO LADO)

De saúde frágil, consumada por uma tuberculose óssea, em 1919 sofreu a amputação da perna direita e, em 7 de setembro de 1921, morreu aceitando todos os padecimentos com paciência e amor.

São Narciso - Bispo e Confessor - 29 outubro


Já era octogenário quando o elegeram bispo de Jerusalém. Algum tempo depois, foi acusado de um ato infame por três caluniadores que, para dar credibilidade a seu depoimento chamaram sobre si a cólera de Deus, porque um deles disse: "Que eu seja queimado vivo se estiver mentindo!"; outro disse: "Que a lepra me devore se eu não estiver falando a verdade!"; e o terceiro: "E eu que fique cego se não for verdade o que digo! ". Assim caluniado, São Narciso se retirou de Jerusalém sem dizer aonde ia, e foi viver recolhido na oração e no isolamento. Novo bispo tomou posse em seu lugar, depois outro e mais outro. Entretanto, aos três caluniadores aconteceram os castigos que eles pediram para si mesmos: o primeiro morreu carbonizado num incêndio com sua família, o segundo morreu leproso e o terceiro perdeu a visão. Anos depois, São Narciso retornou a Jerusalém e foi recebido festivamente, reassumindo com glória suas funções. Segundo o historiador Eusébio, viveu até os 119 anos.
Os registros da Igreja revelam que na diocese de Jerusalém houve um Bispo que foi eleito com quase cem anos de idade. E que ele teria morrido com mais de cento e dezesseis anos. Um fato raro na História da Igreja Católica. Trata-se de Narciso que não era judeu e teria nascido no ano 96. A lembrança que se guardou dele é a de um homem austero, penitente, humilde, simples e puro. Também que desde a infância demonstrando apego à religião esperou a idade necessária para se tornar sacerdote. Fez um trabalho tão admirável, amando os pobres e doentes, que a população logo o quis para conduzir a paróquia de São Tiago. Como Bispo, a idade não pesou, governou com firmeza e um longo período marcado por atuações importantes e vários milagres. Presidiu o Concilio onde se decidiu que a Páscoa devia cair no domingo. Conta-se que foi também na véspera de uma festa de Páscoa, que Narciso transformou água em azeite para acender as lamparinas da Igreja que estavam secas.
Entretanto um fato marcou tragicamente a vida de São Narciso. Ele foi caluniado, sob juramento, por três homens. Um deles disse que podia ser queimado vivo se estivesse mentindo. O outro, que podia ser coberto pela lepra se a acusação não fosse verdadeira. Já o terceiro empenhou a própria visão no que dizia. Embora perdoasse seus detratores, o inocente bispo preferiu se retirar para o isolamento de um deserto. Mas não tardou para que os caluniadores recebessem seu castigo. Um morreu num incêndio no qual pereceu também toda sua família. O outro ficou leproso e o terceiro chorou tanto em público, arrependido do crime cometido, que ficou cego.



O bispo Narciso não foi encontrado para reassumir seu cargo e todos pensaram que tinha morrido. Assim, dois outros Bispos o sucederam. Quando o segundo morreu, Narciso reapareceu na cidade. O povo o acolheu com aclamação e ele foi recolocado para liderar a diocese novamente.



A última notícia que temos desse bispo de Jerusalém está numa carta escrita por Santo Alexandre, na qual cita que o longevo bispo Narciso tinha completado cento e dezesseis anos, e, como ele, exortava para que a concórdia fosse mantida.
Prof. Felipe Aquino